
RECADOS DA CESALTINA ABREU(28)
50 anos depois, a luta quotidiana continua a ser pela sobrevivência, num contexto de pobreza persistente e corrupção estrutural que bloqueia o progresso socioeconómico, apesar dos discursos oficiais.
Luta pela independência; Luta contra fome e a pobreza; Luta contra o analfabetismo; Luta contra a falta de água e energia eléctrica; Luta contra a malária; Luta contra a má nutrição; Luta contra a corrupção; Luta contra a falta de emprego; Luta contra o nepotismo; Luta contra a intolerância política; Luta contra VIH SIDA; Luta contra a cólera; Luta contra a prostituição; Luta contra as doenças tropicais; Luta contra as drogas; Luta contra o desvio de fundos.
Esta longa “enumeração de lutas” reflecte a trajectória de Angola: o 11 de Novembro marcou a independência e o fim de uma etapa, mas abriu caminho a outras lutas — contra a fome, a pobreza, a exclusão social, a corrupção, a precariedade dos serviços públicos, o (des)governo e o desrespeito pelos direitos fundamentais — que alimentam o descontentamento generalizado.
É urgente redireccionar o foco para a melhoria universal das condições de vida e para a construção de um ambiente de paz, cidadania, desenvolvimento humano e progresso social. Isso exige uma mudança profunda nas actuais relações de poder, criando novas bases institucionais capazes de pôr termo à miséria que torna intolerável a sobrevivência diária da maioria da população.
A independência não é monopólio de nenhum grupo: foi uma conquista de todo o povo angolano e todos devem beneficiar dela. Contudo, 50 anos depois, a luta quotidiana continua a ser pela sobrevivência, num contexto de pobreza persistente e corrupção estrutural que bloqueia o progresso socioeconómico, apesar dos discursos oficiais. Impõe-se, por isso, uma transformação urgente das relações sociais e de poder.
A construção de uma “Angola para todos” é responsabilidade de todos os cidadãos, independentemente de credo, cor, ideologia ou origem étnica. Trata-se de um compromisso colectivo em torno do interesse público, da paz, da democracia e de um país onde a Justiça Social seja uma realidade.
A luta actual deve centrar-se também na superação do legado da guerra civil, na construção de uma memória inclusiva e na promoção da reconciliação nacional, como base para um futuro comum. Modernização, justiça, paz e valorização do capital humano e social são pilares desse projecto. A “Angola que sonhamos” é possível, mas depende do empenho partilhado na causa comum.
Neste dia 20 de Fevereiro, Dia Mundial da Justiça Social, os habituais votos de saúde, cuidados e coragem para levar adiante o projecto partilhado “A Angola que sonhamos”: é possível, mas depende do empenho partilhado na causa comum.
Kandando daqui!










