SOLIDARIEDADE É DIVIDIR O QUE SE TEM, NÃO DOAR O QUE SOBRA

RECADOS DA CESALTINA ABREU

É desesperador constatar as desigualdades na sociedade e no mundo em que vivemos. São milhões de pessoas precisando do básico para (sobre)viver, enquanto a riqueza gerada pela exploração dos recursos de todos está concentrada nas mãos de uma minoria. 

Segundo dados recentes do World Inequality Lab para 2026 (a 3.ª Edição da Conferência Mundial sobre Desigualdade será realizada na Paris School of Economics nos dias 4 e 5 de Junho de 2026), a concentração de riqueza no mundo atingiu níveis recordes, com os 10% mais ricos detendo cerca de 75% da riqueza global, enquanto a metade mais pobre da população possui apenas 2%. Ou seja, uma minoria (menos de 60 mil pessoas) detém o equivalente a três vezes mais riqueza do que 2,8 bilhões de pessoas. E esta desigualdade intensificou-se com os impactos da pandemia de Covid-19: os super-ricos ficaram mais ricos e quase 5 bilhões de pessoas perderam património.

Por isso, é urgente que, a par da exigência de medidas de carácter estrutural visando a transformação das relações sociais e de poder, consigamos renovar as energias e falar sobre como praticar solidariedade. A frase “solidariedade não é dar o que sobra, é dar o que falta” significa que ajudar verdadeiramente implica um desprendimento real, sacrificando algo de que se precisa ou se valoriza — seja tempo, conhecimento, um bem material que se usa, dinheiro, etc. —, e não apenas descartar o que já não serve, demonstrando um compromisso com a necessidade alheia. Isto significa que o conceito de solidariedade não é caridade, vai além, enquadra-se numa perspectiva de justiça e de transformação social.

Solidariedade é dividir o que se tem, não doar o que sobra, é compartilhar o que é valioso, reflectindo empatia. É um gesto de amor e um desprendimento, seja material ou afectivo, que nos coloca no lugar do outro e responde à sua necessidade percebida e aliviar a sua dor. Estas ajudas não dependem apenas de recursos financeiros. Também se pode ajudar de diversas outras formas. Alguns exemplos práticos:

•⁠  ⁠Doar sangue 

•⁠  ⁠Dar/doar tempo e habilidades

•⁠  ⁠Compartilhar conhecimento

•⁠  ⁠Partilhar recursos essenciais, como água, alimentos, vestuário, agasalhos, etc.

• Levantar alguém que caiu, em vez de apenas olhar de cima para baixo (citação de Johnny Welch). 

Bom sábado, com saúde, cuidados e coragem para exercitar uma solidariedade activa e significativa, que transforme a realidade em vez de somente aliviar as consciências por incluir no discurso. 

Kandando daqui!

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