
Há uma tendência em aventar a possibilidade da cidade de Luanda poder igualar a cidade do Dubai, o que poderia ser algum dia, mas são duas realidades incomparáveis. Luanda é uma cidade com uma extensão de terras de 113 km², com mais de 10 milhões de habitantes, sendo cerca de 50% imigrantes muitos dos quais legais fraudulentamente, (por péssimo trabalho ou propositado do SINSE). O Dubai é uma cidade só com cerca de 3,8 milhões de habitantes e com somente 4.114 km² de terras (cerca de 27,5 vezes menor, com uma área mais densa de população de 1.507 km²). Só o Município do Cazenga, em Luanda, possuiu uma extensão de 35 km² (8,5 vezes maior do que o Dubai).
Por que razão com “os cofres vazios”, o Executivo teima em autorizar que se draguem praias para assorear a linda Baía de Luanda, para construção de “arranha-céus”, com uma marginal com praias maravilhosas, desde a Samba à Barra do Kwanza e do Bairro da Boavista até Cacuaco?
• A quem interessa e quem beneficia do resultado (lucro) de tais projectos, inclusive numa zona poluidíssima, colada ao Porto de Luanda (com óleos dos barcos e esgotos)?
• Insisto em perguntar, porque não usaram o dinheiro das dragagens para tirar os casebres ao longo da Samba, construídos sem saneamento básico e para construção de casas sociais condignas para os seus moradores?
• Isso, enquanto o Executivo não se importar, que a IMOGESTIM prefira manter casas sociais fechadas do que vendê-las próximo do preço oferecido pelo Estado que as construiu.
• Se a dragagem e a construção dos “arranha-céus”, já não for do interesse ao triunvirato de Manuel Vicente, Dino e Kopelipa, a quem interessará?
Manuel Vicente está relaxado a descansar no Dubai, com um processo arrancado “ferro e fogo” à justiça portuguesa; Carlos Silva saiu de fininho para a Suíça e já ninguém fala nele; Kopelipa e Dino estiveram sempre em liberdade à espera de julgamento, (só lhes retiraram os passaportes depois de acabarem com a vida do seu ex-Chefe), de terem-se escudado em documentos desaparecidos e na amnistia preparada por eles (Decreto Presidencial n.º 173/15 de 15 de Setembro e Lei n.º 11/16 de 12 de Agosto).
Relembremo-nos, que por Decreto Presidencial n.º 23/17 de 15 de Fevereiro, a concessão para gestão da Baía de Luanda à Sociedade Baía de Luanda (do triunvirato e o seu “muchacho” Carlos Silva), retornou ao Governo Provincial de Luanda. Ainda lhes foi concedida uma indemnização choruda, no valor de 379 milhões de dólares, “pelo resgate do direito de concessão”, quando a receberam a custo zero.
O mesmo aconteceu com as acções da Pumangol, também concedidas ao “triunvirato” a custo zero, mas o Presidente da República, João Lourenço, autorizou a sua compra pelo Estado, a quem nada pagou pelas mesmas. Na mesma senda, o Presidente autorizou também o pagamento de uma indemnização no valor de 500 milhões de dólares a Frank Carlucci, sócio de Manuel Vicente, pela concessão petrolífera à COBALT, que a recebera a custo zero. Daí as dúvidas que nos assaltam.
Desde antes da independência, sempre que chove, a Marginal fica alagada pelas águas que descem do alto da cidade, porque a sua maior extensão inicia-se a um nível acima do mar, na Cidade Alta, no Bairro Miramar e no Bairro do Cruzeiro, de onde caiem abruptamente pelas “Barrocas”.
Há necessidade que as águas da chuva não encontrem obstáculos à beira-mar, onde vão desembocar nos ditos arranha-céus. Segundo o falecido ex-governador de Luanda, Luís Gonzaga Wawuti (1988–91), havia um projecto do tempo colonial, para construção da abertura de um canal de passagem a partir da Praia do Bispo até o mar, na Chicala, que passaria precisamente onde está a ser construído o Centro de Convenções por Sílvio Madaleno. Esse foi o argumento pelo qual em 1992, foi impedida a execução de um projecto para formação de crianças filhos dos pescadores da Ilha de Luanda, depois do terreno ter sido concedido e parte do material de construção se encontrar no local.
Será que o edifício do Centro Comercial do Kinaxixi, os edifícios em construção na Baía de Luanda e os condomínios em Luanda Sul, que pertenciam ao supramencionado triunvirato e os seus “testas de ferro”, passaram para alguma(s) empresa(s), ou para alguma(s) pessoa(s) singular(es) protegida(s) pelo novo regime?
Quanto a Baía de Luanda, o importante é limpá-la com equipamentos modernos, dragar para manter a segurança e a dimensão das praias, assim como a Ilha do Mussulo, mas não para construir “arranha-céus” com vista para o mar. Tem-se essa possibilidade quer em direção a Barra do Kwanza, quer a Cacuaco. Mas é no que dá terem nomeado uma ministra do Ambiente, que não tem capacidade para avaliar a incompetência da sua secretária de Estado para essa área, mas que sem sabermos como nem o porquê, sem experiência comprovada, tem sido “pau para toda a obra”.
O Executivo com o dinheiro que esbanja, deve é acabar com os musseques de casas precárias, com ou sem retrete. Porque constitui uma vergonha nacional, que muitíssimo mais do que 25% dos cidadãos angolanos defequem ao ar livre, (segundo o INE 28,3% da população de Angola não foi objecto do censo).
Deus salve os angolanos dos péssimos gestores do país.












