
RECADOS DA CESALTINA ABREU (32)
“Buscando um novo rumo que faça sentido nesse mundo louco”
Esta é uma frase da música ‘Pontes Indestrutíveis’ da banda de Charlie Brown Jr. Ela aponta para a necessidade, sentida de maneira bastante generalizada no mundo actual, de procurar um novo propósito de vida – mudar de rumo, buscar novas formas de viver, trabalhar ou relacionar-se com os outros -, valores mais consistentes e paz interior, face um dia-a-dia caótico, difícil e cheio de incertezas. E para isso é preciso redefinir, ou encontrar, propósito, autenticidade, viver ‘de verdade’, em vez de se conformar com uma vida superficial ou sem propósito.
No caos da sociedade moderna, com desequilíbrios, falta de solidariedade e de empatia, é preciso resistir às pressões para a conformidade e transformar a indignação com o mau uso do poder, a corrupção e a crescente desigualdade social, em acções que produzam a mudança para sociedades livres, justas, inclusivas, solidárias e sustentáveis. É um convite para evoluir pessoalmente, cuidar de quem está por perto e construir “pontes” (laços) através do amor e da verdade, mantendo a sanidade e o optimismo (“fazer o bem”) apesar das dificuldades.
Ao recuperar esta matéria de uma aula, criei uma ‘ponte’ com outra reflexão (também ela usada numa aula): “Por um mundo onde caibam muitos mundos”, o lema central do Zapatismo, movimento de resistência no México (estado de Chiapas), de luta pela justiça, contra o “mau governo” e o capitalismo, defendendo a autonomia, o pluralismo e a valorização da diversidade – traduzida pelas diferentes culturas e formas de vida -, em oposição à homogeneização capitalista, ao ‘mundo único’ imposto pelos poderes dominantes onde a diversidade é ‘apagada’, propondo a / apelando pela construção colectiva de um amplo espaço de convivência para todos os povos / os mundos, com as suas particularidades, os seus conhecimentos autóctones, as suas línguas, as suas culturas.
Este mundo existe na ‘minha cabeça’, que o considera não só necessário, como possível e urgente!
Saúde, cuidados e coragem para resistir à insanidade contagiante e afirmar-se como arquitecto(a) desse ‘mundo para todos’ que precisamos construir.
Kandando daqui!










