Educação, emancipação e desenvolvimento humano

RECADOS DA CESALTINA ABREU(22)
A educação, aliada à formação ética e ao acesso ao conhecimento, não é apenas um instrumento de crescimento económico, mas a própria essência da emancipação humana e da construção de sociedades justas, criativas e resilientes.
Amílcar Cabral afirmou que “a maior riqueza de uma nação é o seu povo”, sintetizando uma concepção de desenvolvimento que ultrapassa indicadores económicos e se ancora na centralidade do ser humano. Esta ideia revela uma compreensão profunda do progresso social: nenhuma nação se desenvolve de forma sustentável sem reconhecer a dignidade das pessoas, valorizar as suas capacidades e confiar no seu potencial criador. O verdadeiro motor do desenvolvimento reside, assim, na articulação entre ética colectiva, competência técnica e pensamento crítico, elementos indispensáveis para transformar conhecimento em prática social.
O investimento na formação integral dos cidadãos — abrangendo educação, ciência, cultura e desenvolvimento do capital humano — constitui a base de um modelo de desenvolvimento endógeno, inclusivo e duradouro. Uma população instruída e consciente torna-se capaz de analisar criticamente a realidade, responder aos desafios estruturais e propor soluções inovadoras. Nesse sentido, o crescimento de uma nação não se mede apenas pelo aumento da produção material, mas também pela elevação moral, cultural e intelectual da sociedade.
Esta visão encontra forte consonância no pensamento de Nelson Mandela, para quem “a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”. Para Mandela, o conhecimento possui um carácter eminentemente libertador: combate preconceitos, reduz desigualdades e capacita o indivíduo a participar activamente na vida pública. A educação, nesta perspectiva, não deve ser entendida como um processo de mera transmissão de conteúdos ou de obediência passiva, mas como um exercício de formação crítica que ensina a pensar, questionar e transformar a realidade. Aprender é, portanto, um acto de emancipação que fortalece o carácter, amplia horizontes e permite reescrever o próprio destino.
Ao integrar as reflexões de Cabral e Mandela, compreende-se que o desenvolvimento nacional assenta, fundamentalmente, na valorização, instrução e emancipação do povo. Uma comunidade que pensa, aprende e se transforma colectivamente constitui a base mais sólida do progresso, pois quando o povo floresce, a nação inteira se eleva. Esta abordagem afasta-se de modelos de desenvolvimento excludentes e reforça a centralidade da justiça social e da participação cidadã.
Esta concepção encontra ainda ressonância no pensamento de Immanuel Kant, ao afirmar que “o ser humano não é nada senão aquilo que a educação faz dele”. Tal afirmação sublinha que a transformação social depende do desenvolvimento integral de cada indivíduo. A educação, aliada à formação ética e ao acesso ao conhecimento, não é apenas um instrumento de crescimento económico, mas a própria essência da emancipação humana e da construção de sociedades justas, criativas e resilientes.
Em síntese, ao reconhecer o povo como a maior riqueza da nação, como ensinou Amílcar Cabral, e ao afirmar a educação como força libertadora, como defendeu Nelson Mandela, delineia-se um caminho sólido para o progresso e o bem-estar colectivo. Investir no ser humano é investir no futuro, pois é nesse compromisso contínuo com a educação, a dignidade e a consciência crítica que reside a esperança de uma sociedade mais justa, próspera e livre.
Saúde, cuidados e coragem para não desistir da luta, em várias frentes, para transformar o mundo!
Kandando daqui!
Referências:
CABRAL, Amílcar. Unidade e luta: a arma da teoria. Lisboa: Seara Nova, 1974.
MANDELA, Nelson. Long walk to freedom. Londres: Abacus, 1994.
KANT, Immanuel. Sobre a pedagogia. Lisboa: Edições 70, 2009.











