
Em 2026, o meu ego acorda mais cedo do que eu. Não para vencer o mundo, mas para negociar com ele. Já não bate a porta com discursos inflamados, nem exige aplausos imediatos. Aprendeu, finalmente, que gritar cansa e que o silêncio, quando bem usado, convence.
O meu ego, em 2026, olha-se ao espelho com menos vaidade e mais curiosidade. Pergunta quem sou, em vez de afirmar quem deveria ser. Descobriu que a identidade não se prova com títulos, seguidores ou estatísticas, mas com coerência — essa palavra discreta que não faz manchetes, mas sustenta vidas.
Há dias em que o ego tenta regressar à sua versão antiga: impaciente, comparativa, sempre a medir o sucesso pela régua dos outros. Nesses dias, lembro-lhe que o mundo já não precisa de mais gente a disputar lugares altos, mas de pessoas dispostas a aprofundar raízes. O ego suspira, contrariado, mas escuta.
Em 2026, o meu ego aprende a perder sem se humilhar e a ganhar sem humilhar ninguém. Entende que nem toda crítica é um ataque, e que nem todo elogio é um certificado de eternidade. Passa a aceitar limites como fronteiras de sabedoria, não como sinais de fracasso.
Curiosamente, o meu ego torna-se mais leve quando deixa de ser o centro. Descobre o prazer de servir, de aprender com quem pensa diferente, de admitir “não sei” se sem medo de desaparecer. Percebe que diminuir o ego não é apagar-se, mas abrir espaço para crescer de forma mais verdadeira.
Se antes o meu ego queria controlar o futuro, em 2026 ele aprende a caminhar com o tempo. Já não corre para chegar primeiro; prefere chegar inteiro. E nessa nova postura, menos ruidosa e mais humana, encontra algo inesperado: PAZ.
Talvez o meu ego em 2026 não seja menor, mas mais educado. Já não manda — dialoga. Já não exige — propõe. E, pela primeira vez, compreende que a maior conquista não é ser maior que os outros, mas ser melhor do que ontem.
Eis, finalmente, o meu ego em 2026. Renovados votos de um feliz ano novo para todos.
Bom fim de semana.
Bem-haja!
*Menga-Ma-Kimfumu











