LUANDA. A INVASÃO E DESCARACTERIZAÇÃO DA BAÍA PELOS DDT

MARIA LUÍSA ABRANTES 

A Sociedade Baía de Luanda, representada por Carlos Silva e Baptista Sumbe, cujo chefe do projecto era Manuel Vicente, foi indemnizada em 379 milhões de dólares, por Decreto Presidencial n.º 23/17 de 15 de Fevereiro. Só o demónio sabe o porquê… 

Já uma vez questionei, mas na ausência de respostas, torno a fazer a pergunta a quem souber:

A quem pertence, ou qual o nome do membro da facção vencedora, ou testa de ferro, que ficou com o Projecto Baía de Luanda, financiado e indemnizado pelo Estado, (pago com o dinheiro dos contribuintes), quando foi concedido a custo ZERO

A Marginal de Luanda foi alargada, com a construção de um passeio mais amplo (calçadão) e canteiros relvados, para protecção da linda, mas pequena Baía de Luanda, para lazer dos citadinos e visitantes. De imediato, o grupo dos espertos, ou seja, os DDT (donos disto tudo), então capitaneados por Manuel Vicente, protegido pelos seus principais “muchachos”, Dino, Kopekipa, Higino Carneiro, Carlos Silva, Baptista Sumbe, etc…, privatizaram a Baía. Mosquito Mbakassy, também integrante dos DDT, não participou nesse projecto. Já Toninho Van-Dunem, fez parte da distribuição de terrenos que tinham dono, quando esteve conjuntamente com o Higino Carneiro a coordenar a Província de Luanda. 

Não bastava já terem distribuído os jardins arranjados da cidade e o jardim Zoológico na Ilha, decidiram dragar mais, para construir prédios no calçadão (pasmem-se). Nem sei como não transformaram as jaulas dos amimais para morar. 

⁠A pergunta que não se quer calar é:

— Se não há dinheiro, quem substituiu os DDT e quem continua a construir a todo o vapor, todos os prédios e condomínios da facção perdedora? 

É estranho e sintomático, porque o local onde foi instalado o novo Centro de emissão de passaportes e cartas de condução, é, exactamente, no final do calçadão, junto ao Porto de Luanda, no prolongamento do terreno dragado. No mesmo sítio, onde por pura matumbice, estão a construir também um arranha-céu, (me admiraria se vierem outros), em vez de gastarem esse dinheiro a limpar a Baía, o morro da Samba e na construção de casas sociais. 

Outra coincidência, é que todo esse movimento decorre no mesmo sítio, onde haviam sido montadas várias tendas, que se fartaram de facturar enquanto não houve a inauguração do Centro Protocolar, durante a organização de todos os eventos organizados pelo Executivo em 2025. Não deve ser muito difícil adivinhar, a quem poderia interessar continuar a monopolizar.

Será que pensam que vão ser enterrados com as fortunas, para gozar no purgatório? 

É que o inferno é aqui, onde vivem 99.9% dos angolanos, estendendo-se a outras ditaduras similares a de países bombardeados. 

Os jardins da cidade de Luanda foram reabilitados pelo único governador, Aníbal Rocha, que conhecia o que é normal numa cidade em geral e nos bairros residenciais em particular. Possivelmente pela sua vivência anterior à independência. Os outros governadores, como nasceram em bairros sem jardins e sem ruas arranjadas, de imediato acharam que o melhor negócio seria montar lanchonetes, bares e salões de farra nos jardins dos bairros residenciais, a começar pelo maior e principal, o “Parque Heróis de Chaves”, transformado, em definitivo e vergonhosamente, em dois salões de farras. 

Quanto à Sociedade Baía de Luanda, representada por Carlos Silva e Baptista Sumbe, cujo chefe do projecto era Manuel Vicente, foi indemnizada em 379 milhões de dólares, por Decreto Presidencial n.º 23/17 de 15 de Fevereiro, (só o demónio sabe o porquê).

Manuel Vicente tornou-se invisível, depois que o Presidente João Lourenço, com ar muito carregado, ameaçou publicamente o governo português, caso o seu processo de corrupção não fosse remetido a Luanda. Como o então ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto é muito inteligente, de imediato disse publicamente, numa entrevista, que o processo não iria prosseguir. E não mentiu.

Angola tem coisa do “arco da velha”. Incomodados com a Bela da Baía de Luanda, e apesar de tantos terrenos livres, os DDT não só se encheram de razão para ‘roubar’ espaço ao lado do Porto, como ainda reclamaram USD 379 milhões de indemnização.

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