
RECADOS DA CESALTINA ABREU(10)
Liberdade, como alguns apregoam e arrogam-se ao direito de agir em seu nome, é ou pode ser uma ameaça; mas na sua essência, é respeito e direito.
Hoje, 23 de Janeiro, é o Dia Mundial da Liberdade. Em essência, o dia celebra a autonomia, a expressão e a ausência de opressão, sendo um lembrete para proteger esses direitos fundamentais em todas as suas formas.
Creio que qualquer Ser Humano minimamente informado, que acompanhe o que vai acontecendo mundo afora, ao lembrar-se (ou ser lembrado) da data, se interrogará sobre se faz sentido essa celebração. E as razões para essa interrogação resultam da confrontação da real(i)dade com o conteúdo da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adoptada pela Assembleia Geral da ONU em 1948. Dela, DUDH, vou mobilizar apenas dois artigos:
O Artigo 1.º estabelece a premissa da liberdade como um direito inalienável: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Esta afirmação fundamental destaca que a liberdade não é um privilégio concedido, mas sim uma condição intrínseca à humanidade. Todos nascem com o direito à liberdade, independentemente da sua origem, raça, cor, sexo, religião, opinião política, status social, fortuna, nascimento ou qualquer outra distinção.
O Artigo 2.º da DUDH reforça a universalidade desse direito: “Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação”. Aqui, ressalta a igualdade e a não discriminação como princípio fundamental, garantindo que a liberdade seja acessível a todos, independentemente de suas características individuais.
Em termos mais simples, a liberdade é o direito de todos os seres humanos de realizarem as suas próprias escolhas, traçarem o seu futuro e determinarem as suas opções de vida, para a viverem do seu jeito.
No contexto actual, o Dia Mundial da Liberdade deve ser não tanto um momento de celebração da conquista desse direito, mas de reflexão sobre os desafios contemporâneos que ameaçam a liberdade em várias partes do mundo. A luta contínua contra a opressão, a discriminação e a violação dos direitos humanos, destaca a necessidade de uma vigilância constante para preservar e fortalecer a liberdade.
Neste dia, é essencial reconhecer o papel vital que a liberdade desempenha na construção de sociedades justas, inclusivas e democráticas. Ao defender a liberdade, estamos não apenas honrando a visão da DUDH, mas também trabalhando para um mundo onde todos possam desfrutar plenamente dos seus direitos fundamentais.
Em última análise, este Dia Mundial da Liberdade deve ser uma oportunidade para renovar o nosso compromisso com a promoção e protecção da liberdade, lembrando-nos de que, num mundo verdadeiramente justo, a liberdade é o alicerce sobre o qual construímos um futuro melhor para todos.
Neste dia, os habituais votos de saúde, cuidados e muita coragem para nos lembrarmos que a Liberdade se relaciona com o próprio sentido de vida, com a própria razão do existir, e tentarmos agir em conformidade. Lembrando, também, que Liberdade, como alguns apregoam e arrogam-se ao direito de agir em seu nome, é ou pode ser uma ameaça; mas na sua essência, é respeito e direito. Respeito pela liberdade da(s) outra(s), direito pela nossa própria liberdade.
Kandando daqui!











