A data convida-nos à memória, ao respeito e à saudade. Recordo um homem de pensamento profundo, de postura serena e de uma inteligência rara, que dedicou grande parte da sua vida ao serviço do país.
Durante catorze anos esteve ao lado do Presidente José Eduardo dos Santos como director do seu Gabinete, acompanhando de perto momentos decisivos da nossa história. Foi embaixador de Angola em países de grande relevância diplomática como Espanha, França e Portugal, onde granjeou respeito e admiração pelo seu profissionalismo, elegância e capacidade de diálogo. Homem de trato fino, educado e ponderado, soube representar Angola com dignidade e elevação, deixando uma imagem de seriedade e competência por onde passou.
Mais tarde, como ministro das Relações Exteriores, desempenhou um papel de enorme importância na afirmação internacional do nosso país. Entre os momentos marcantes da sua trajectória, destaca-se a assinatura, com Hillary Clinton, da parceria estratégica entre Angola e os Estados Unidos da América, um passo significativo no reforço das relações bilacterais e na projecção diplomática de Angola no mundo.
Posteriormente, continuou a servir a nação como conselheiro do Presidente da República, João Lourenço, sempre com o mesmo sentido de missão, discrição e elevado patriotismo.
Assunção dos Anjos foi, acima de tudo, um dos grandes intelectuais e diplomatas da sua geração. A sua palavra tinha peso, o seu pensamento tinha profundidade e a sua presença transmitia segurança. Era um verdadeiro homem de Estado, daqueles que servem com convicção, sem ruído, mas com marca duradoura.
Quis o destino interromper um dos maiores desígnios da sua vida, deixando um vazio difícil de preencher. Partiu cedo demais, quando ainda tinha tanto para partilhar, ensinar e construir. Foi-se o homem, ficou o exemplo. Ficou a memória de um patriota, de um servidor incansável e de um amigo leal.
Neste dia, que seria de celebração, prestamos-lhe homenagem com respeito e profunda admiração. A sua ausência dói, mas a sua lembrança permanece viva entre todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer, de com ele trabalhar e de com ele partilhar o sonho de uma Angola cada vez maior.
Onde quer que esteja, que descanse em paz. A sua história permanece, a sua obra continua e o seu nome será sempre recordado com gratidão.
Ramiro Manuel Barreira (no Facebook)










