
Governar é promover a liberdade como pilar de uma democracia saudável, alargar o combate à pobreza e investir seriamente na literária cívica, política e financeira, como instrumentos de emancipação individual e colectiva.
O país aproxima-se de um período decisivo da sua história política. Em 2027, o povo poderá, de facto, assumir o papel que a Constituição lhe confere, o de verdadeiro patrão do destino nacional, escolhendo o futuro líder do país. Queremos um Presidente para todos os angolanos, não para facções ou interesses instalados.
A diversidade de opiniões, identidades e trajectórias não deve significar a perda de um horizonte comum. Pelo contrário, exige a construção de um projecto nacional convergente, inclusivo e mobilizador. Um projeto que una o país em torno de objectivos claros de desenvolvimento, justiça e dignidade. Para isso, não basta moderação no discurso. É necessária ambição no exercício do poder, ambição ética, política e social.
Precisamos de um Presidente que enfrente a corrupção sem rodeios, que agarre os problemas pela raiz e não por comunicados de imprensa. Um Chefe de Estado comprometido com a justiça social e económica, que compreenda não haver estabilidade possível enquanto a maioria vive na pobreza e uma minoria continua a enriquecer obscenamente à sombra do Estado.
Queremos um país digno e próspero, não uma república capturada por usurpadores do interesse público e por redes de corrupção que corroem o futuro comum. Basta de transformar Angola numa bandalheira institucional.
Enquanto muitos passam fome e não têm acesso a medicamentos básicos, outros continuam a encher os bolsos como se nada estivesse, errado um padrão que, lamentavelmente, se repete há 50 anos.
O país que queremos é simples de definir: menos políticos e melhores políticas; menos despesa de funcionamento e mais investimento produtivo; menos confronto estéril e mais cooperação política; menos propaganda e mais trabalho sério, não em nome do partido, mas em nome do povo.
Não precisamos de políticos cheios de falácias, mais preocupados em vender a própria imagem nas redes sociais, transformando memes em “notícias” e superficialidade em governação. Os angolanos exigem seriedade, critérios rigorosos de governação e honestidade intelectual. Chega de “banha de cobra” reciclada a cada ciclo eleitoral para depois tudo continuar igual.
Apresentem-se com honestidade. Falem sem mentiras. Sustentem os discursos com factos. Não atentem contra a verdade, contra a inteligência colectiva. O povo está farto da mesma música.
Não se governa um país como se estivesse num palco de entretenimento, a dançar kuduro como temos assistido, com todo pelos artistas, promotores e apreciadores desse estilo. Mas, o exercício do poder exige sentido de Estado e seriedade. Exige afirmar a supremacia do interesse público, a defesa da unidade nacional, o respeito a separação de poderes, submissão à força da lei não, à lei do mais forte.
Governar é promover a liberdade como pilar de uma democracia saudável, alargar o combate à pobreza e investir seriamente na literária cívica, política e financeira, como instrumentos de emancipação individual e colectiva.
O que aqui se escreve são pensamentos avulsos de um angolano que, como tantos outros, acredita, profundamente no seu país e quer contribuir mais para a sua construção.
Os cidadãos têm o direito de acreditar num futuro melhor. Os políticos têm o dever moral e histórico de fazer tudo ao seu alcance para tornar esse desejo legítimo em realidade.











