ANGOLA E O DESAFIO DA LIDERANÇA EM 2026

CARLOS GOMES NGONDI SUCAMI*

Angola não precisa de discursos inflamados nem de promessas irrealistas. Precisa de líderes com visão de longo prazo, capacidade de unir o País e coragem para colocar o interesse público acima das conveniências partidárias…

Angola entra em 2026 carregando consigo um paradoxo inquietante: um País dotado de recursos naturais abundantes e de uma juventude numerosa, continua prisioneiro de fragilidades estruturais que parecem resistir ao tempo. Neste contexto, a questão central já não é apenas económica ou técnica, mas profundamente política, ética e humana. Angola precisa, com urgência, de homens providenciais.

A expressão pode causar desconforto num tempo marcado pela desconfiança em relação a líderes fortes. No entanto, o homem providencial não deve ser confundido com o salvador autoritário ou com a figura messiânica. Trata-se, antes, de um líder capaz de interpretar o momento histórico, assumir responsabilidades e agir com visão, coragem e sentido de serviço público.

Cinquenta anos após a independência, Angola encontra-se numa encruzilhada decisiva. A herança da guerra e do colonialismo já não pode servir de explicação única para os desafios persistentes: desemprego juvenil elevado, desigualdades sociais profundas, fragilidade institucional e uma economia excessivamente dependente de matérias-primas. O problema central passou a ser a qualidade da liderança e a capacidade de transformar potencial em desenvolvimento sustentável.

2026, é o ano pré-eleitoral em Angola. O País entra numa fase que convida à reflexão serena sobre o seu percurso e, sobretudo, sobre os desafios que ainda se colocam ao desenvolvimento nacional. Num contexto marcado por profundas transformações económicas, sociais e geopolíticas, a questão da liderança responsável assume particular relevância.

A história demonstra que, em momentos de transição, as nações beneficiam da presença de líderes capazes de interpretar os sinais do tempo e de orientar a acção pública com visão estratégica, sentido ético e compromisso com o bem comum. Neste sentido, falar de “homens providenciais” significa reconhecer a importância de lideranças esclarecidas, competentes e profundamente comprometidas com o interesse nacional.

A liderança que Angola necessita em 2026 deverá assentar em valores como a integridade, a transparência e a capacidade de diálogo. Num mundo cada vez mais interdependente, torna-se essencial promover consensos internos, fortalecer as instituições e garantir políticas públicas orientadas para resultados sustentáveis e inclusivos.

A juventude angolana ocupa um lugar central neste processo. Investir de forma contínua na educação, na formação profissional e na participação cívica dos jovens não é apenas uma opção política, mas uma condição estratégica para o futuro do país. Liderar, neste contexto, significa também preparar a próxima geração para assumir responsabilidades e contribuir activamente para o progresso nacional.

Importa salientar que o desenvolvimento de Angola é uma responsabilidade partilhada. Governantes, partidos políticos, sociedade civil, sector privado, igrejas, universidades e meios de comunicação social desempenham papéis complementares na construção de um projecto nacional inclusivo. A emergência de lideranças responsáveis deve caminhar lado a lado com o fortalecimento da cidadania e da cultura democrática.

Em 2026, Angola tem a oportunidade de consolidar os avanços alcançados e de enfrentar com confiança os desafios que se avizinham. Para tal, será determinante contar com líderes capazes de unir, ouvir e servir, colocando o interesse colectivo no centro da acção pública. Mais do que rupturas, o País precisa de continuidade responsável, visão de futuro e compromisso com as gerações vindouras. 

Importa sublinhar que a emergência de homens providenciais não dispensa a responsabilidade colectiva. Nenhuma liderança transformadora sobrevive sem uma sociedade civil vigilante, uma imprensa livre e instituições que funcionem. A providência histórica não substitui a cidadania; ela exige maturidade democrática e compromisso nacional.

Angola não precisa de discursos inflamados nem de promessas irrealistas. Precisa de líderes com visão de longo prazo, capacidade de unir o País e coragem para colocar o interesse público acima das conveniências partidárias. Em 2026, mais do que nunca, o futuro angolano dependerá da qualidade dos homens que assumirem o dever de servir — e da coragem de um povo disposto a exigir mais dos seus líderes.

Mais do que uma boa moamba do final de semana, tiro o pé com a esperança de ver homens providenciais para Angola em 2026. Tenho dito. 

*Menga-Ma-Kimfumu

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