A VERDADE EXIGE RUPTURA COM PRECONCEITOS E NARRATIVAS CONFORTÁVEIS

RECADOS DA CESALTINA ABREU (31)

“Imaginem várias pessoas presas num grupo de WhatsApp. Se uma conseguisse sair e trouxesse notícias do mundo exterior, seria vista como mentirosa e talvez até agredida”. 

Esta é uma releitura moderna do Mito da Caverna, de Platão. O grupo de WhatsApp representa a caverna, uma bolha ideológica onde apenas as “sombras” (mensagens e fake news ) são tomadas como realidade. Quem descobre a verdade, e regressa, ameaça o conforto e as crenças dominantes, sendo rejeitado por questionar a “realidade” construída.

A metáfora mostra como o conforto na bolha digital pode tornar as pessoas resistentes à verdade, preferindo atacar o que desafia as suas convicções a rever as suas perspectivas e convicções.

No contexto político actual, a alegoria continua pertinente. As “sombras” correspondem à manipulação da informação, às fake news e às bolhas de filtro nas redes sociais, que moldam percepções e criam realidades distorcidas. A caverna simboliza o mundo das aparências, onde a opinião pública (doxa) prevalece sobre o conhecimento fundamentado (episteme). Tal como na alegoria, quem procura ir além das aparências enfrenta resistência, porque a verdade exige ruptura com preconceitos e narrativas confortáveis.

A saída da caverna representa, assim, o exercício do pensamento crítico e a busca de conhecimento fundamentado — condição essencial para a formação de cidadãos conscientes e para uma prática política orientada pela verdade, e não apenas pela manutenção do poder.

Saúde, cuidados e coragem para seguir em busca da verdade, desenvolvendo o pensamento crítico e resistido à comodidade do conformismo. 

Kandando daqui! 

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