
Só a experiência de vida e a competição saudável, distinguem a meritocracia da acomodação política de parasitas, para manipulação política da maioria analfabeta, baseada na ignorância e falsidade ideológica.
Grande parte dos angolanos, sobretudo os jovens e residentes, (porque temos muitos estrangeiros nessa condição), provenientes de famílias muito pobres, ou de novos ricos, tem uma grande ânsia em exercer um elevado cargo político para acomodação e obtenção de benesses, por via do diploma. Para eles, diploma já significa experiência e mérito. A ambição desmedida e a falta de referências familiares anteriores, cega os jovens. Muitos deles entram nas universidades já com esse objectivo e, em simultâneo, com a ambição de acumular riqueza sem esforço.
Para mim, têm mais credibilidade os jovens que venderam (em) no mercado informal, desde o Mercado Roque Santeiro, ou trabalharam nas obras e que em simultâneo estudavam. Esses, quando termina(ra)m a sua formação, ainda que não seja com as melhores notas, já acumularam muita experiência de vida.
Não é possível que jovens que viveram numa cubata de uma aldeia, que estudaram em baixo da árvore, ou viveram numa casa num beco dos nossos muceques (que têm o pleno direito de se elevar), só por equilíbrio regional, ou filiação partidária, possam exercer convenientemente as suas funções com brio, ao serem catapultados para cargos de direcção, sem adquirirem experiência, vagueando de cargo em cargo na “dança das cadeiras”, ainda que seja ao nível da administração local. Acho que deveriam ficar só nos partidos, a arregimentar membros para votar.
A determinada altura do meu percurso profissional, um empregador propôs-me a nomeação para o exercício de um cargo de direcção. Não aceitei. Preferi ser adjunta, para adquirir mais experiência. Trago isso a liça como exemplo, porque acho que o problema nesses 50 anos é que misturam as coisas. E depois estranhamos, quando nos aparece um governador a distribuir uma merenda escolar constituída de ginguba com mandioca. Neste caso que ocorreu na província do Uíge, disseminado nas redes sociais, o dirigente não tem culpa, porque pouco tempo depois de sair da Faculdade foi nomeado ministro. Cometeu uma quantidade enorme de asneiras e, ainda assim, premiaram-no com o cargo de governador.
Mas existem inúmeros exemplos. Outros, de péssimos governadores passaram a embaixadores, membros de conselhos de administração de empresas públicas nomeados sem qualquer tarefa, só para encher os bolsos, ministros e depois a deputados. Temos o caso de Gonçalves Muandumba, que desgovernou as províncias por onde andou, assim como o Ministério da Juventude e Desportos, onde passou para seu nome um dos patrimónios de referência e mais preciosos, que foi a Casa do Desportista, para depois alugar como lojas. Em Angola, “o cabrito come onde está amarrado”. Há outros casos de jovens, que saídos das fileiras do MPLA, foram parar a governadores e tornaram-se um autêntico desastre.
Diplomas de ensino superior não significam de imediato, experiência e muito menos competência. Na administração central ainda há os consultores estrangeiros, que vão mascarando a incompetência dos nossos dirigentes, mas nas províncias o apoio não é o mesmo e deu “bum”.
É verdade que nos tempos de Agostinho Neto era bem pior. Mas, 50 anos depois, não devemos aceitar. Lembro-me por exemplo, do caso de Mariano Puko que foi condutor de um carro de recolha de lixo e depois de proclamada a independência, foi nomeado governador de Luanda. Entretanto, como ele e Kundi Paihama foram membros da organização da sociedade civil ODP, quando catapultado para ministro da Segurança de Estado, foi coadjuvado pelo segundo (vice-ministro da Segurança de Estado). Pasmem-se, pois Kundy Payama, com apenas a 4.ª classe do ensino de posto, foi para além de governador de Luanda, ministro para a Inspecção do Estado (órgão da Segurança de Estado) que coordenava o IGAE e passou a substituir o Ministério das Finanças, para além de ministro da Defesa, como ele tanto se gabava.
A pergunta que não quer calar é:
• A que propósito a Segurança de Estado tinha que controlar as contas do Estado, em vez de controlar as fronteiras do país e os perigos vindos sobretudo do exterior?
• Qual a capacidade e competência de alguém iletrado como Kundi Paihama (a alfabetização vai até a 5.ª classe), para coordenador da Fiscalização das Contas do Estado?
• Só pode ser para desmoralizar os quadros capazes e saquearem à vontade (há várias formas).
Nos Estados Unidos, todos os estudantes a partir da 5.ª classe, são obrigados a fazer trabalho voluntário de todo o tipo, até entrar na universidade. São os alunos do 2.º ano da universidade que carregam as malas dos estudantes do 1.º ano e dos cursos de pós-graduação, fazendo parte de comissões de recepção. Não importa que seja em Harvard, onde um estudante paga anualmente mais de 90 mil dólares por uma licenciatura (tem de pagar o quarto no 1.º ano dentro da universidade).
Até quando continuaremos a ver nas redes sociais, jovens com diploma que ambicionando subir na vida, ficam nus de madrugada em rituais satânicos, morrem em casas de feiticeiros ou em suas próprias casas por overdose de chás no quadro de promessas para se ter sorte, ou ainda, a matar membros da própria família?
Essas manifestações obscurantistas, só demonstram que o diploma por si só, não elimina o atraso de mentalidade. Mas é assim em qualquer país do mundo. Porque só a experiência de vida e a competição saudável, distinguem a meritocracia da acomodação política de parasitas, para manipulação política da maioria analfabeta, baseada na ignorância e falsidade ideológica.










