
RECADOS DA CESALTINA ABREU(29)
A adopção do multi-linguismo é urgente, para promover a inclusão social, preservar identidades culturais grupais e contribuir para a construção de uma Angolanidade necessária.
O dia de hoje é, desde 1999, dedicado a exaltar a importância da diversidade linguística e do multilinguismo na promoção da dignidade, da paz e da compreensão, dentro das sociedades e entre estas. Assinala, igualmente, o esforço para preservar as Línguas Maternas , salvaguardar o património cultural e melhorar a educação.
Para as crianças, em especial as menores, o contacto com essa musicalidade construída com os elementos da sua lingua materna é de extrema importância. A propósito desta questão das línguas, vale a pena distinguir: a Língua Materna é primeiro idioma aprendido pelos seus falantes, por ser praticado na sociedade em que nasceram.
Segundo Mia Couto “Nascemos e choramos. A nossa língua materna não é a palavra. O choro é o nosso primeiro idioma” (O Outro Pé de Sereia, 2006 ). A Língua Franca é a utilizada na comunicação por grupos que falam línguas maternas diferentes (a Língua Inglesa é considerada a maior língua franca do mundo actual ). A Língua Nacional é a que confere a relação de pertencimento a um povo. E a Língua Oficial é a língua do Estado, uilizada nas acções formais por meio de actos legais.
Num país onde ‘o simples é complicado’, não fica difícil antever o grau de ‘dificul(i)dade’ na comunicação, quando existem pelo menos 9 grandes línguas maternas (nacionais) – embora oficialmente sejam reconhecidas seis línguas angolanas de origem africana Resolução nº 3/87, 23 de Maio -, centenas de dialectos de origem Bantu que funcionam como línguas francas em contextos regionais, e o Português funcionando, simultaneamente, como Língua Nacional (a ‘língua veicular’ de anos atrás) e Língua Oficial … é muita língua para pouca comunicação e ainda menos entendimento!
A adopção do multi-linguismo é urgente, para promover a inclusão social, preservar identidades culturais grupais e contribuir para a construção de uma Angolanidade necessária, e melhorar o acesso à educação, permitindo a valorização das Línguas Maternas junto com o Português. Esta estratégia permitiria valorizar os conhecimentos endógenos, fortalecer a autoestima comunitária e combater a marginalização de falantes não nativos da língua oficial. Vale lembrar, que a Constituição de Angola (2010) e a legislação sobre a educação (2016) valorizam esta diversidade, tornando o bilinguismo um caminho fundamental para um desenvolvimento inclusivo numa sociedade multicultural.
Para não variar, só falta implementar! Saúde, cuidados e coragem para incluir mais esta causa nas diversas frentes de luta!
Kandado daqui!











