
RECADOS DA CESALTINA ABREU(24)
“Existe uma busca quase universal por respostas fáceis e soluções semielaboradas. Nada perturba tanto algumas pessoas como ter de pensar”.
Existe, na contemporaneidade, uma tendência quase universal para a procura de respostas fáceis e soluções semielaboradas, prontas a consumir e de rápida assimilação. E isto, porque se vive em ‘águas rasas’, pelas canelas. Nada de ‘mergulhos fundos’ porque ‘profundidade’ não faz parte do léxico! Livros curtos, de preferências excertos, uma página virou ‘textão’! … Conversas rápidas, superficiais! Tudo é tratado como se descartável fosse. Nada é, tudo está! Nós, não somos, estamos!
Daí que essa inclinação — procura de respostas fáceis e soluções semielaboradas — não seja neutra: ela nasce do desconforto profundo que o exercício do pensamento crítico provoca em muitas pessoas. Pensar exige tempo, esforço intelectual, disposição para a dúvida e, sobretudo, coragem para enfrentar a complexidade da realidade.
Nada perturba tanto quanto a necessidade de reflectir de forma autónoma. Pensar implica abandonar certezas confortáveis, questionar narrativas dominantes e assumir a responsabilidade pelas próprias conclusões. Por isso, respostas simplistas tornam-se sedutoras: aliviam a angústia da incerteza, dispensam o confronto com contradições e oferecem a ilusão de segurança intelectual.
Esse fenómeno é reforçado por contextos sociais e políticos que valorizam a velocidade em detrimento da profundidade, a opinião imediata em lugar da análise fundamentada. Soluções superficiais são facilmente instrumentalizadas, pois reduzem problemas complexos a slogans, facilitam a manipulação e desencorajam o debate informado. A recusa em pensar, neste sentido, não é apenas uma limitação individual, mas um traço estrutural de sociedades que normalizam o conformismo intelectual.
No entanto, pensar é um acto profundamente emancipador. É através da reflexão crítica que se desconstroem falsas evidências, se reconhecem injustiças e se ampliam as possibilidades de transformação social. Resistir à tentação das respostas fáceis é, portanto, um exercício de liberdade. Num mundo que frequentemente recompensa a repetição acrítica, insistir no pensamento autónomo torna-se não apenas um dever intelectual, mas também um gesto ético e político.
Numa 6.ª feira, 13, às portas de fim de semana prolongado para alguns, aqui ficam os votos de saúde, cuidados e coragem para exercitar liberdades, de pensamento e de expressão, e continuar na luta pela urgente, inadiável, transformação social de que tanto precisamos.
Kandando daqui!











