BASTA! ANGOLA NÃO PODE CONTINUAR REFÉM DA INDIFERENÇA

RECADOS DA CESALTINA ABREU (16)

É tempo de transformar a indignação em iniciativa para a mudança. Angola precisa de cidadãos activos, de coragem cívica e de compromisso com a justiça social.

Falar de Angola como um “El Dorado” africano é, hoje, um exercício de negação da realidade. Para a maioria dos cidadãos, o país não é sinónimo de prosperidade nem de esperança, mas de fome persistente, desigualdades gritantes e violação sistemática de direitos fundamentais. Esta não é uma percepção isolada ou exagerada: é uma realidade confirmada pelos indicadores sociais, económicos e humanos que colocam Angola entre os piores desempenhos a nível continental e mundial.

As principais causas de morte — paludismo, tuberculose, cólera, doenças respiratórias e diarreias — são doenças da pobreza e da ausência do Estado. São males evitáveis, combatíveis, mas que persistem porque a prevenção, os cuidados básicos de saúde e as políticas ‘públicas’ eficazes continuam a falhar. A pobreza não é uma fatalidade: é o resultado directo de opções políticas.

No Sector da Educação, o cenário é igualmente alarmante. Milhares de crianças e jovens estão excluídos do sistema educativo, enquanto a qualidade do ensino se degrada e as infraestruturas se encontram em estado lastimável. Um país que abandona a sua juventude está, conscientemente, a colocar o futuro em suspenso.

A situação agrava-se quando observamos o acesso desigual a bens essenciais como água potável, energia e saneamento, ainda fora do alcance de mais de metade da população. A falta de habitação digna e de trabalho decente afecta sobretudo os jovens, alimentando sentimentos de exclusão, revolta e descrença num sistema que não responde às suas necessidades.

Paradoxalmente, enquanto os direitos políticos e sociais definham, assiste-se ao reforço do aparelho militar e securitário. O enquadramento jurídico tem sido usado não para proteger os cidadãos, mas para restringir liberdades fundamentais como a associação, a reunião e a expressão. A democracia enfraquece quando o medo substitui a participação.

A percepção generalizada de corrupção, nepotismo e impunidade não surge do acaso. Ela resulta da falta de transparência, da ausência de prestação de contas e do desrespeito sistemático pela coisa pública. Governa-se sem sentido de Estado e sem compromisso com a rés-pública, mantendo afastados os cidadãos dos processos de tomada de decisões que moldam as suas próprias vidas.

Esta realidade está à vista de todos — nas ruas, nos bairros, nos rostos marcados pela luta pela sobrevivência diária. Só não vê quem não quer. Só não age quem escolhe a indiferença. 

Mas a história mostra-nos que nenhuma mudança nasce do silêncio. É tempo de transformar a indignação em iniciativa para a mudança. Angola precisa de cidadãos activos, de coragem cívica e de compromisso com a justiça social. Porque aceitar o inaceitável nunca foi, nem será, uma opção digna.

Saúde, cuidados e coragem para agir! 

Kandando daqui!

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