
RECADOS DA CESALTINA ABREU
Hoje, e ainda no âmbito dos temas relacionados com o início de um novo ciclo solar, partilho uma adaptação de matérias que li sobre o designado “Efeito recomeço”. Este conceito foi introduzido na literatura de ciências comportamentais pelos autores Hengchen Dai, Katherine Milkman e Jason Riis(1), e representa mais do que uma folha em branco. Este fenómeno psicológico consegue assemelhar-se a uma fórmula mágica. A essa sensação de ruptura os pesquisadores chamam de “efeito de novo começo”: momentos significativos fazem-nos acreditar que podemos rever prioridades e reinventar-mo-nos.
Mas por que isso acontece? Segundo apontam estes especialistas, “estes marcos criam uma sensação de distanciamento psicológico das decepções e fracassos do passado, permitindo que reformulemos e estabeleçamos novas intenções”. E como garantir que as resoluções feitas nesses momentos se transformem em realidade? Rituais de início, como o 1.º de Janeiro, criam a sensação de ‘página em branco’ e impulsionam novos comportamentos. Mas as mudanças duradouras dependem de motivação verdadeira, de metas específicas e de disciplina.
As pesquisas destes autores, citadas pelo Psychology Today demonstram que “temos mais probabilidade de iniciar mudanças comportamentais positivas após determinados marcos temporais”, sejam aniversários, feriados ou a passagem de ano. “Estes marcos criam uma sensação de distanciamento psicológico das decepções e fracassos do passado, permitindo que reformulemos e estabeleçamos novas intenções”.
Mas, para isso, precisamos ‘fechar’ o capítulo /o ciclo anterior. Entre outras, algumas perguntas devem ser por nós respondidas, como:
- O que lhe trouxe alegria genuína no ano passado? E o que lhe provocou o efeito contrário?
- Que pessoas é que lhe acrescentaram algo positivo e quais é que o deixaram esgotado?
- Como pode fazer ‘as pazes’ com os problemas do ano passado?
- O que fará em 2026 se não tiver medo?
Embora o efeito de recomeço seja um impulso inicial de motivação, manter esse impulso exige algum esforço. Ou seja, as mudanças duradouras derivadas desse impulso inicial dependem de motivação verdadeira, de metas específicas e de disciplina. Para maximizar os benefícios deste fenómeno, os especialistas sugerem estratégias a adoptar ao longo do ano:
Estabelecer metas específicas e mensuráveis: Aproveitar a energia do novo ano para traçar objectivos alcançáveis e mensuráveis, em vez de resoluções vagas;
Criar micro-pontos de referência: Dividir as metas mais amplas em marcos temporais, por exemplo, mensais, o que permite tratar o início de cada mês como uma oportunidade para melhorar e recalibrar os esforços;
Começar com pequenas vitórias: Inicie com hábitos simples que podem ser repetidos com facilidade. A constância gera confiança, impulsionando a conquistar mais.
Imaginar o sucesso: mobilizando a imaginação pode fortalecer-se o compromisso com os objectivos traçados, por exemplo, imaginando que se conseguiu alcançar alguns desses objectivos e aproveitando os benefícios proporcionados por esse sucesso. Segundo os especialistas, isso ajuda a “reforçar associações positivas com o esforço necessário”;
Construir responsabilidade: Partilhar os objectivos com família e amigos próximos; partilhando o comprometimento em alcançá-los, aumenta a responsabilidade social e a probabilidade de cumprimento ao criar incentivos externos para persistir.
Celebrar pequenas vitórias: Independentemente da conquista, saber reconhecê-la e recompensar-se por esse progresso, auxiliará a “manter a motivação e a reforçar comportamentos positivos”, segundo os especialistas.
Uma boa 1.ª semana ‘inteira’ do novo ano de 2026, desejando que, neste momento, ainda de transição, cada um a seu modo, use o “Efeito Recomeço” para dar o impulso psicológico necessário à adopção de comportamentos aspiracionais e à busca por uma versão melhor de nós mesmos.
Kandando daqui!
05.01.2026
(1) The Fresh Start Effect: Temporal Landmarks Motivate Aspirational Behavior, 2013. In NA — Advances in Consumer Research. Volume 41, eds. Simona Botti & Aparna Labroo, Duluth, M. N: Association for Consumer Research.











