Devemos transformar os tapetes vermelhos — profusamente disseminados nos corredores do poder e que ofuscam muitas vezes as nossas consciências — em vias verdes de acesso e diálogo com os cidadãos…
Dou a minha opinião sobre o que deve ser feito, do que acho que são as bases principais para ultrapassarmos algumas das nossas dificuldades. Não podemos meter a cabeça debaixo da areia, até porque começamos o ano com muitas dificuldades em 2026.
As minhas ideias, basicamente, são as seguintes:
Acho que deve ser feita uma remodelação profunda em pessoas e estratégias do Executivo angolano. Durante outros programas, no decorrer do ano passado, defendi várias vezes essa necessidade, sendo minha opinião, logicamente, também falível. Mas, acho, que deve ser feita uma remodelação profunda, em pessoas e em estratégias do Executivo angolano. Porque acho que muitos dos integrantes do nosso Executivo estão cansados e desacreditados, e já não conseguem segurar o testemunho com eficácia.
Outro aspecto, acho que o Conselho Económico e Social, cujos integrantes, reconheço e reafirmo, são de elevada qualificação técnica em vários domínios da actividade política, social e económica do país, deve ser extinto. Isso porque acho que os integrantes do Conselho Económico e Social, cujo órgão nasceu com uma boa intenção, estão agora amarrados a lógicas institucionais, protocolares, de subordinação e de obediência política, fazendo com que as suas competências se resumam a números, pareceres e memorandos, cuja execução real não conhecemos.
Acho que, reafirmando a elevada competência técnica e profissional desses conselheiros económicos e social em vários domínios, cada um deles deve ser desamarrado (que me desculpem os meus amigos que estão no Conselho pela utilização desse termo) desses coletes de forças. Devem voltar a ter voz independente, profissional e credível, como, aliás, foram sempre até serem nomeados, com pompa e circunstância. Devem assumir-se com posições e opiniões perante a opinião pública e a sociedade, devem ter voz, intervenção social activa; devem empurrar os restantes empresários e outros agentes sociais nas mudanças que se pretendem.
Outro ponto que acho fundamental neste ano, é a necessidade de se reformular toda a estratégia de luta contra a corrupção, que já se viu, não atingiu os objectivos nobres principais enunciados. Acho também, neste âmbito da corrupção, que se deve cessar todas as decisões de âmbito económico e financeiro, a alto nível, que indiciem ou promovam novos focos de corrupção. Todos os dias temos indicações de que há decisões que podem ir por esse caminho. É necessário barrar completamente com esse tipo de decisões.
Acho também que deve ser dado uma volta completa, séria e honesta, à linha editorial da comunicação social pública, colocando-a ao serviço do Estado e da cidadania.
As assessorias do Presidente da República e Titular do Poder Executivo, devem reflectir profundamente, durante este ano, sobre a forma como cuidam da sua imagem. Como é que as assessorias cuidam da sua imagem, da sua agenda de Estado e pessoal, no interior e no exterior do país. Como é que cuidam dos seus discursos, das suas entrevistas, dos seus contactos directos, profissionais, com os seus auxiliares no Executivo, com as províncias e em particular, nos seus contactos directos com os cidadãos. As assessorias devem reflectir profundamente sobre este assunto.
Deve-se também ver-se a questão da descentralização, de facto, das verbas para os governos provinciais e administrações municipais, porque é aí onde estão os cidadãos, as dificuldades, as carências e as necessidades. E não colocar como prioritário os critérios da idade e do sexo para as nomeações e promoções nas estruturas do poder, mas o mérito, a competência e a honestidade.
Acabar, em definitivo, com as falácias e as mentiras sobre o Pacote Legislativo das Autarquias, e avançar, sem receios, para esta importante reforma do Estado.
Em 2026, devemos transformar os tapetes vermelhos — profusamente disseminados nos corredores do poder e que ofuscam muitas vezes as nossas consciências — em vias verdes de acesso e diálogo com os cidadãos. Não é fácil saindo da minha boca, formular essa proposta, dizer que devemos transformar tapetes vermelhos em vias verdes. Para isso, deve-se dar voz e microfones cada vez menos a comunicólogos, politólogos, tudólogos, etc., etc.; dar cada vez mais voz e microfones a engenheiros, médicos, arquitectos, a ligas juvenis independentes, a funcionários públicos, a economistas, a pescadores, artistas, advogados, operários da construção civil, a pequenos agricultores, enfermeiros, autoridades tradicionais não assalariadas, a jornalistas, etc., etc.
Acho que há forma de se conseguir isso fora das narrativas partidárias. Suspender, com coragem, todas as despesas supérfluas da administração pública. Isso também é possível aos olhos de toda a gente, está plasmado todos os dias na imprensa. Dar, de facto, na prática, não nos discursos, atenção à agricultura familiar e empresarial, cruzar a construção e apetrechamento de centros médicos, de escolas e apoio total às pequenas e médias empresas. Acho que este é um programa mínimo que podemos executar em 2026.
Nos anos 50/60, o MPLA, partido que até hoje comanda o poder, tinha um Programa Mínimo e um Programa Máximo. E de facto o Programa Mínimo foi cumprido e por isso, estabeleci esse programa mínimo, que acho que pode ser realizado em 2026. Será nesse sentido que farei as minhas intervenções neste programa durante este ano. Serão para defender este conjunto de acções e de estratégias.
Penso de igual modo, que o nosso país, mais do que o dinheiro, cimento e promessas — e por isso é que lanço estas ideias aqui no início do ano — precisa de esperança, de verdade, de humanidade, de fé no futuro, de mensagens de unidade; de motivação, de mensagens de dinâmica de sucesso e de crescimento. O nosso país precisa de acreditar, de confiar e de ter motivos para se mobilizar, para fazer e para fazer acontecer. Precisa de saber, através da mensagem da classe política, de que é possível mudar a situação. Se não for assim, não vamos mudar.
Essa é a minha mensagem de início do ano.
PS- *Intervenção no Programa radiofónico LAC- Jornal 7dias (moderação de José Silva, participação semanal de José Guerreiro, Rui de Castro, Adebayo Vunge, Henda Inglês e Gustavo da Conceição) — Edição de 12 de Janeiro.











