
RECADOS DA CESALTINA ABREU
“Com a crise muitos convivem. Mas nenhuma sociedade suporta indefinidamente a injustiça”.
Os factores sociais e culturais desempenham um papel crucial na origem da injustiça: num estado de pobreza reina a injustiça. A desigualdade social, por exemplo, pode resultar em diferentes tratamentos para indivíduos com base em sua origem, classe social, raça ou sexo. A injustiça ocorre quando dois indivíduos semelhantes e em iguais condições recebem tratamento desigual; dito de outra maneira: a injustiça ocorre quando regras diferentes são aplicadas para uma mesma situação dependendo de quem está nela!
As principais barreiras para superar a injustiça social são as situações que causam a desigualdade social, como má distribuição dos rendimentos, desigual e deficitário acesso à educação; má administração dos recursos públicos; investimentos públicos insuficientes, não prioritários e mal conduzidos; e não garantia de serviços básicos de qualidade numa base universal. Estabelece-se como um círculo vicioso, em que a injustiça gera desigualdade e a desigualdade reproduz a injustiça. Injustiça essa que corrói a sociedade pelas entranhas, destruindo os vínculos entre os seus poderes e os vínculos sociais entre os seus constituintes, gerando insegurança, desconfiança e medo. Acompanhando as notícias sobre acontecimentos recentes, aqui em Luanda, e um pouco por todo o mundo, facilmente compreendemos que a revolta que sobressai desses protestos, ataques, desacatos, desses é filha da injustiça prevalecente.
Na Carta Encíclica FRATELLI TUTTI, Sobre Fraternidade e Amizade Social (03 Outubro 2020), o Papa Francisco lembrava: “Aqueles que pretendem pacificar uma sociedade não devem esquecer que a desigualdade e a falta de desenvolvimento humano integral impedem que se alcance a fraternidade social e a paz duradoura, pois limitam o reconhecimento e o valor de todas as pessoas e perpetuam polarizações”.
Para construir um mundo melhor e mais justo, é necessário superar as divisões geradas pela falta de inclusão e de afecto. Ou seja, a desigualdade social cria barreiras para o desenvolvimento de uma sociedade pacífica. A ausência de desenvolvimento humano integral, na perspectiva do universal, impede que as pessoas se reconheçam e se valorizem mutuamente, o que é essencial para a paz. A amizade social, proposta pelo Papa Francisco, é percebida como o caminho para a construção de um mundo mais justo e pacífico. Ela se manifesta na valorização de cada pessoa, independentemente de suas origens ou local de nascimento. Só superando polarizações, através do combate à desigualdade e da promoção do desenvolvimento humano, é possível superar as dicotomias que separam as pessoas e comprometem o futuro da humanidade.
Uma 6.ª feira com Saúde, com Cuidados e com Coragem para agir de forma solidária, uma das primeiras práticas para combater a desigualdade, pois contribui para proporcionar oportunidades igualitárias e construir uma sociedade justa. Gestos concretos e simples que estão ao nosso alcance, começando com o que temos e podemos oferecer, como: ouvir alguém, doar bens básicos, ou ajudar alguém nas tarefas.
A solidariedade genuína não exige grandes recursos, mas sim a intenção de ajudar o próximo e construir um mundo melhor, valorizando os laços comunitários e o bem-estar de todos. Só com um verdadeiro compromisso social, trabalho, disciplina, rigor e justiça social se edifica uma sociedade e um mundo melhores, para todos!
Kandando daqui!