O GENERAL PAKA

MARIA LUÍSA ABRANTES 

O general Paka (Paulo Mendes de Carvalho Pacavira), nem sempre usou uma terminologia suave para retratar a realidade e tecer as suas críticas, mas assume o que diz no âmbito da liberdade de expressão consagrada na Constituição, pelo que temos de ter em atenção a sua verticalidade e carácter.

Há quem tenha escrito sem se identificar, que o general Paka participou nas barbaridades do 27 de Maio, mas não referiram como, nem quem torturou, ou conduziu à morte. A ser verdade, acredito que o próprio deveria retratar-se, mas sendo acusado no anonimato fica difícil. 

Todavia, teremos de concordar, que o general Paka no momento, é o general dos generais, que leva a cruz às costas das reivindicações sozinho, sem o apoio de nenhum dos seus colegas. A maioria dos generais só consegue lamentar-se em “off”, porque poucos dos que continuam entre nós, combateram, na verdade, na linha da frente. A maioria (salvo excepções) são generais de gabinete, ou tribais, do tipo Bento Kangamba, etc. Aliás, no dia 27 de Maio de 1977, constatei que os generais, sobretudo os do “maki”, não passam de cobardes. Aproveitaram-se do povo de Luanda, mobilizado pelos intelectuais provenientes de todas as províncias, que acorreram para as FAPLA e apanharam boleia trepando nas suas costas. 

Em vez do Executivo arranjar mais um herói popular, as reivindicações do general Paka deveriam ter sido tomadas em consideração, antes de se extremarem as posições. Aliás, o general Paka só diz o que diariamente se ouve na rua, pela voz da população sofredora de Angola.

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