A PROPÓSITO DOS VOTOS DA DIÁSPORA EM ANDRÉ VENTURA

MARIA LUÍSA ABRANTES 

Temos os residentes portugueses e de outras nacionalidades, assim como a liderança que merecemos.

Aprecio alguns dos escritos de Denilson Duro. Todavia, discordo de parte do texto publicado no Club-K, quando diz, que a mão de obra portuguesa residente em Angola que votou em André Ventura, (à semelhança de tantos outros consultores da nossa praça contratados), é qualificada. Critica-os por votaram a favor de alguém com um discurso contra a imigração desordenada, mas o candidato está no seu direito. 

Os angolanos também deveriam criticar a importação de tantos consultores estrangeiros, com tantos quadros que Angola já formou, inclusive nas melhores universidades do mundo. Os consultores e investidores estrangeiros, têm a obrigação legal de formar e capacitar quadros angolanos. Não o fazem para se manter a ganhar salários exorbitantes e não são incomodados por isso. Quem os incomodar será punido pelo Executivo, ainda que a Sr.ᵃ Christine Lagarde, durante o seu mandato a frente do FMI, tenha denunciado o facto dos países africanos exagerarem na contratação de consultores estrangeiros. 

⁠Discordo, porque a maioria desses portugueses que vivem a nossa custa, não conseguem funcionar sem que os quadros angolanos forneçam-lhes dados. E vivem de pesquisas como qualquer angolano letrado e capacitado pode fazer. 

⁠Discordo, porque muitos desses portugueses cooperantes, ainda têm de estudar a nossa legislação fiscal, ou financeira, ou sobre o investimento privado, administrativa, etc., que desconhecem em absoluto. Só os códigos Penal, Civil e das Sociedades são similares. 

⁠Discordo, porque se fossem tão qualificados, esses portugueses residentes em Angola estariam a exercer as suas funções num país desenvolvido. Eles estão em Angola porque estão no desemprego, ou porque ou não são tão qualificados, ou porque acabaram de ser formados. 

Infeliz e vergonhosamente, os portugueses e outros estrangeiros, vêm para Angola a ganhar 1.000% ou mais, do que os quadros nacionais com a mesma formação e capacidade, e tirar o emprego aos angolanos desempregados, ou subempregados.

Relembro, que o Presidente da República José Eduardo dos Santos promulgou um Decreto a acabar com a diferença de salários entre estrangeiros e angolanos, mas só durou alguns meses.  O “lobby” dos monopolistas DDT (Donos-Disto-Tudo), ligado ao poder que se mantém, conseguiu que o referido Decreto fosse anulado. Certamente afectaria os seus bolsos, porque ou são mixeiros, ou sócios indirectos das empresas estrangeiras prestadoras de serviços. 

A maioria dos estrangeiros que faz consultoria, ou negócios dúbios em Angola, desprezam-nos. E merecemos, porque aceitamos ter uma administração do país fraca e anárquica, com uma liderança de faz de conta que nos humilha, por uns “trocados” e por falta de dignidade.

Estamos no país dos ajustes directos, dos milagres da multiplicação do dinheiro de servidores do Estado. O país cuja Baía de Luanda aparece na CNN, ou no EURONEWS, mas não se sente o cheiro a fossa, nem a parte cheia de lixo que boia nas águas e vai desaguar nas praias.  Enfim, o país da “Alice”. 

Temos os residentes portugueses e de outras nacionalidades, assim como a liderança que merecemos.

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