
No caso de Angola, a recente baixa da taxa de juros ainda não é suficiente para aquecer a economia. Se é verdade que aparentemente essa possibilidade vá contra a teoria estrita da oferta e da procura relativamente a taxa de inflação, também é verdade que nesse caso, os mais prejudicados seriam os depositantes e não os empresários ou o Estado.
A inflação tem várias causas e não apenas o desequilíbrio entre a oferta e a procura de bens e serviços, não obstante, seja uma das principais em países desenvolvidos. No caso de países em desenvolvimento, como Angola, não poderemos seguir a receita de “copy paste” dos consultores estrangeiros em quem os assessores do Presidente da República apoiam-se, porque há a considerar também outras causas principais, nomeadamente:
i. Causas Estruturais, que constituem entraves à produção, tais como:
• Falta de infraestruturas básicas, que elevam os custos de produção repassando os preços aos consumidores (estradas, pontes, caminhos de ferro, portos, aeroportos, energia e adução de água); falta de tecnologia; falta de rede logística e de capital humano com formação profissional, ou formação “on job” (no local de trabalho) adequada;
• Dependência de Importações, provocando o aumento dos preços das “commodities”, tais como insumos básicos com impacto na produção local, alimentos da cesta básica, combustíveis, etc.;
• Escassez de Produção local, ou atrasos no abastecimento na cadeia de produção, ou distribuição, por falhas logísticas.
ii. Causas Monetárias e Expectativas, tais como:
• Desvalorização administrativa (deslizante) da moeda local;
• Expectativas e Inércia Inflacionária, porque quando a inflação é esperada, há, preventivamente, reajustes nos preços dos bens e serviços, assim como dos preços dos aluguéis das casas;
• Emissão de Moeda, sem aumento de produção;
iii. Causas Externas e Cambias:
• Variação Cambial, ocasionada pela desvalorização da moeda local, que encarece os produtos importados e reduz o preço dos produtos de exportação;
• Turbulência Económica Global, ou Conflitos Globais (guerra), que afectam o preço do petróleo, seus derivados, etc.;
iv. Causa da Demanda:
• Política Fiscal Expansionista, devido a gastos públicos excessivos e não apenas o crescimento da renda e do crédito, ou os cortes nos impostos.
Para adequar a política monetária e a política fiscal às necessidades do país visando o seu desenvolvimento sócio-económico harmonioso, não é necessário pensar “fora da caixa”. O importante seria saber o que fazer e por onde começar.No caso de Angola, a recente baixa da taxa de juros ainda não é suficiente para aquecer a economia. Se é verdade que aparentemente essa possibilidade vá contra a teoria estrita da oferta e da procura relativamente a taxa de inflação, também é verdade que nesse caso, os mais prejudicados seriam os depositantes e não os empresários ou o Estado.
Para atenuar a medida, haveria a redução das taxas de juros sobre o capital temporariamente dos depositantes. Os empresários teriam acesso ao crédito mais barato para relançar os seus negócios e o Estado encaixaria mais receita através dos impostos das empresas e não só.
O Estado ganharia ainda, com o valor da percentagem da diferença da baixa da taxa de juros na venda dos títulos da dívida e dos activos fixos que se valorizariam. A médio e a longo prazo, todos ganharíamos e haveria mais emprego real, sem a necessidade de serem apresentados dados duvidosos pelo INE.
Sem infraestruturas básicas, não há ambiente para atração do investimento estrangeiro, e sem crédito mais barato não haverá investimento privado nacional.
16.01.2026










